sexta-feira, 13 de junho de 2008

Cantando para o Sol

As ruas de São Paulo, no fim de um entardecer de sábado, eu afirmo, são atmosferas torturantemente solitárias, portanto, não riam de mim, pois aqui, atrás dos prédios, é raro ver o Sol dormir.

Note que ninguém se importa com o Sol se despedindo do hoje.

Qualquer implicação deste nível é pura perda de tempo quando cabisbaixos caminhamos sabendo onde pisamos e não por onde vamos.

Deus do céu, o Sol sente falta de ser olhado enquanto entra num sentimento intransferível que só o desprezo nos causa.

E de tanta criação só, não é apenas o Sol, astro maior, carregado de luz intensa que sente a carência de alguém que o veja se despedir de nós.

A noite de sábado nem em seu auge estava quando eu, encostado num daqueles botecos de médio porte, pelas sete da noite, na hora da janta e não da festa, onde ao longe se vê banheiros abertos e nas paredes inúmeros azulejos rachados me admiro com alguém tão perto da solidão que nem o Sol em sua beleza ímpar imaginaria passar.

As minhas admirações são adoravelmente seguidas de uma série de espantos e neste bar, cheio de extravagância pessoal, um homem cortejou minha atenção bem mais que uma dona incrivelmente vestida de azul celeste e saia decorada de lantejoula e na boca, um batom de tom púrpuro, mas não tão delineado assim.

O boteco tinha um daqueles músicos talentosos que pra sobreviver, saca das costas um violão e de bar em bar, pede pra apresentar seus dons em troca de um cachê ou se servir da sorte de alguém que ao vê-lo, faça propostas melhores. Uma vez, me disseram que não fazem sucesso por serem feios, por isso, fazem questão de não lapidarem um talento perdido em qualquer endereço fácil de encontrar.

Tanto o Sol no fim de tarde quanto esse músico no intróito da noite não mastigam uma solidão caracterizada pelo isolamento e pelo encarceramento da comunicação e mais, um é só por ser brilhante demais para os nossos olhos fitarem sem alguma proteção e o outro, é feio demais pra você dar cinco minutos da sua vida pra sua voz.

O mundo da solidão não se perde no término de uma relação, mas se encontra quando sem saber, nos deparamos com quem, em algum lugar, seja na ponta do horizonte ou no banco de um boteco, ao lado do banheiro quer cantar pra qualquer um que queria esquentar a pele ou por trás dos prédios abrasar o coração.

Eu lhe disse cantor, sem dizer a você, que lhe escreveria um texto.

Promessa cumprida.

18 comentários:

Lovelace disse...

A gente precisa valorizar mais as coisas da vida.
escrevi sobre isso esses dias no meu blog!
cara, é serio, adoreeei seu blog! qr fazer uma parceria?
beeejo

§ol apena§ §ol disse...

Muito belo texto...

Lovelace disse...

foi o que eu quis dizer: seu blog é diferente pq não é copiado e colado.
><

Cris Vieira disse...

Muito bom o blog. Gosto da maneira como escreve.

Hugo Jr. disse...

bom texto...
parabéns!

www.1irmao.blogspot.com
www.tirashd.blogspot.com

Léo Oliveria disse...

Show de bola aqui, parabe´ns


abraços

Mickey disse...

Gostei,muito profundo o seu texto...


http://www.sonacachaca.com

Giovanna. Prazer! disse...

muito bom o texto.


www.sorrisosdeplasticos.blogspot.com

Cássia Barbosa disse...

Muito bom!!!

Dih da Pâhzinha... disse...

Cara por isso eu moro em uma cidade simples da grande porto alegre, uma cida pobre, considerada a mais violenta, mas a melhor de se viver...
tenho tudo que eu quero, e tudo aquilo que devemos dar valor!!!

http://www.avidanobeco.com/

Daniele disse...

Muito bom!! [2]

bjo

http://desgracapoucaehbobagem.blogspot.com/

Carolina disse...

Bem, o texto está muito, muito bem escrito. Se bem que esse comentário é bem corriqueiro... ainda assim, é verdade.

Como já foi dito, a gente não valoriza as coisas da vida. Acho que é coisa da sociedade contemporânea... ou moderna. A gente passa nas ruas apressado, sem vontade de falar com ninguém, sem vontade de encontrar um conhecido. A gente tenta ignorar o que nos incomoda, mas assim a gente acaba ignorando todo o resto. Não aproveita melhor os segundinhos de beleza que a vida nos dá.

**Fabi** disse...

Olá.

Te vi na comunidade do blogspot no orkut.

Inseri o seu link no meu blog.

Dá uma passadinha lá http://fabiasouza.blogspot.com/
Se puder adiciona o meu link no seu blog e deixa um cometário.

Bjus

Dani Antunes disse...

O boteco tinha um daqueles músicos talentosos que pra sobreviver, saca das costas um violão e de bar em bar, pede pra apresentar seus dons em troca de um cachê ou se servir da sorte de alguém que ao vê-lo, faça propostas melhores.

Adoro essas coisas simples da vida boêmia! ;)

Bjo

Giuh disse...

www.sorrisosdeplasticos.blogspot.com/
atualizado!

elk santos disse...

A gente precisa valorizar mais as coisas da vida.

parabens...

LUCAS DE OLIVEIRA disse...

escrevi sobre dar valor a vida hoje no meu blog!

gostei do seu texto!

muito bom!

e, precisamos com certeza, dar mais valor à vida, em principal para aquelas coisas minúsculas que não parece fazer tanto efeito em nossa vida!


abçs


Lucas de Oliveira

Mijei disse...

A vida da gente é tão frágil, e a gente não percebe, deviamos dar mas valor mesmo as coisas, para de correr tanto e parar por um momento e olhar ao nosso redor, ver o q Deus está nos reservando de bom no dia!

ótimo texto parabens!!

abraços


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